Na madrugada do dia 8 de dezembro do ano de 1894, em Vila Viçosa, foi anunciado, durante o trabalho de parto, que era ‘uma menina, uma flor’. O seu pai, certificando, declarou: ‘Flor se chamará’.
De nome completo Flor Bela d’Alma da Conceição Espanca, tentou sempre desvendar o mistério da sua alma, imensa demais para ser vulgarmente feliz neste mundo.
O seu amargurado e difícil percurso de vida foi expresso num dos seus poemas: “A minha pobre Mãe tão branca e fria / Deu-me a beber a Mágoa no seu leite!”
Em 1930, dias antes de morrer, enquanto revia as provas tipográficas do livro Charneca em Flor, Florbela confessa que vai suicidar-se no próprio dia do seu aniversário, por entender que este será o melhor presente que poderá dar a si mesma.
“Deixai entrar a Morte, a Iluminada,
A que vem para mim, pra me levar.
Abri todas as portas de par em par
Com asas a bater em revoada.”
E assim Florbela abriu as próprias asas e voou livre e bem alto num céu colorido com os seus versos, mas sempre envolto numa atmosfera impregnada de padrões culturais, tradições e preconceitos castradores do Ser Sonhador e da Alma Feminina que ela era.
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