As harmonias e os desconcertos da vida geram plúrimas visões poéticas das mudanças, vicissitudes e disputas de inteligências inerentes ao funcionamento e à evolução imparáveis deste mundo. Desses sucessos, bons ou maus, uns fazem sentido e outros desarticulam o que se considera ser uma sensata ordenação das coisas.
Na cidade grande fervilham emoções, estados de alma e contradições pessoais, profissionais, políticas e sociais. Os seus actantes competem ou guerrilham em meandros palacianos e burocráticos de ministérios, tribunais e outros palcos, na defesa de interesses conflituantes de auto-afirmação, notoriedade ou progressão numa carreira.
Nos campos, além dum inegável enlevo com a beleza silvestre, insinua-se uma elegíaca deferência pelo desaparecimento de modos de vida agrícola e de padrões de vitalidade ambiental.
De tudo isto se nutre uma certa fúria versífera que, em tom abstractivo e irónico, mas não moralizador, procura evidenciar essas humanas imperfeições.
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