Longe dos holofotes da Baía de Luanda, da imponência da Serra da Leba ou da beleza natural de Moçâmedes, as vivências do personagem principal, de seu nome Azarado, mostram-nos uma Angola que não vem nos roteiros turísticos. Através dele, é-nos revelado o mais feio e repugnante de uma sociedade, as condições miseráveis em que vivem os seus ‘desafortunados’. Uma vida dorida, cinzenta e, tantas vezes, sangrenta.
Contudo, paralelamente, assistimos a sucessivas superações de dor e de inexoráveis golpes que a vida vai infligindo a Azarado. Mas este, tal como Fénix, além de conseguir carregar fardos maiores do que o seu próprio corpo, renasce das cinzas mais forte e vigoroso do que nunca e segue em frente.
Kalucinga é, pois, um hino à esperança, uma bandeira hasteada contra a não-resignação, um apelo à necessária re-invenção para superarmos as intempéries da vida.
(Fernanda Carrilho)
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